Catarina Nunes

Jornalista 

Idosos portugueses vão ser quase três vezes mais que jovens dentro de 50 anos

A população portuguesa vai ter dentro de 50 anos quase três vezes mais idosos do que jovens com menos de 15 anos, indica uma projeção apresentada hoje na conferência ‘Nascer em Portugal’ promovida pelo Presidente da República. Segundo o estudo, apresentado pela demógrafa Maria João Valente Rosa, Portugal terá dentro de 50 anos uma média de 267 pessoas com mais de 65 anos, por cada centena de jovens com menos de 15 dentro.

O mesmo estudo aponta para que em já em 2030 essa relação seja de quase dois idosos por cada jovem - 194 pessoas com mais de 65 anos por cada 100 com menos de 15. Atualmente, os dados estatísticos apresentados pela investigadora indicam que já há 129 idosos por cada centena de jovens. Há 50 anos, a situação era completamente inversa: havia apenas 27 pessoas com mais de 65 anos por cada 100 com menos de 15.

Um dos fatores que contribui para esta mudança foi uma grande descida na taxa de fecundidade desde 1960. Nessa altura, cada mulher residente em Portugal tinha, em média, 3,2 filhos, enquanto no presente esse valor se fica por 1,37. O número mínimo para assegurar a substituição de gerações é de 2,1 filhos por cada mulher.

Em contrapartida, revelam os dados tratados pela investigadora social, as condições em que nascem as crianças na atualidade são muito melhores do que as de há 50 anos. Presentemente, 99% dos nascimentos ocorre em unidades de saúde, contra apenas 18% em 1960.

No mesmo espaço de tempo, a mortalidade infantil até ao primeiro ano de vida baixou mais de 30 vezes, descendo de 80 mortos por cada mil nascimentos para 2,5 na atualidade. Também a esperança de vida cresceu de forma clara no mesmo meio século, aumentando em 16 anos para as mulheres e 15 para os homens.

O sociólogo António Barreto, comentador convidado da intervenção de Maria João Valente Rosa - intitulada "Fecundidade e natalidade, valores e tendências" – sustenta que «nasce-se menos, mas nasce-se melhor do que há 60 anos. Não há comparação».

Para ilustrar a opinião, contou que assistiu, na região do Douro, quando era criança, a um parto debaixo de uma figueira, para onde levaram a mulher que andava a vindimar. No dia seguinte ao nascimento, de tarde, a parturiente voltou ao trabalho. Barreto levantou depois uma série de questões para as quais disse aguardar resposta, nomeadamente porque é melhor ter mais filhos e se é legítimo o Estado exigir que os cidadãos tenham mais filhos.

Depois, voltou a criticar o chamado cheque-bebé, instituído pelo anterior Governo, mas que funcionou só alguns meses, considerando uma «perversão moral» que se proponha a «alguém ter um filho por 200 euros», como estabelecia a legislação que citou.

Fonte: LUSA.